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Reciclagem de latas têm índice recorde no País
O Brasil atingiu um índice recorde de reciclagem de latas de alumínio em 2011, com a alta demanda do mercado local por esse tipo de embalagens.
De cada 1000 unidades consumidas no ano, 983 haviam sido recicladas, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (Abal). O índice brasileiro, de 98,3%, é o maior do mundo. Em 2010, o país havia alcançado percentual de 97,6%.
Tecnicamente, pode-se dizer que o Brasil tem um índice de 100%, segundo Renault de Freitas Castro, diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas). Quando excluídas as latas que são usadas para outros fins, como o artesanato e fundições caseiras, o país consegue reciclar todo o montante consumido. O nível atual deve seguir estável, mas é possível que flutue levemente para cima ou para baixo, o que vai depender do movimento da indústria que utiliza as latas.
No ano passado, foram recicladas 18,4 bilhões de latas de alumínio no país, o que corresponde a 50,4 milhões ao dia. Depois do Brasil, estão o Japão, com um índice de 92,6%, e a Argentina, com 91,1%. Em seguida, aparecem no ranking global de reciclagem de latas a Europa, com uma média de 66,7%, e os Estados Unidos (65,1%), segundo dados de associações locais, compilados pela Abal.
A razão da liderança brasileira é uma combinação de demanda constante por latas no mercado local – que incentiva os catadores a manter sua atividade – e a tradição brasileira. Há 20 anos o país já tinha programas de recompensas para quem coletasse as latas. “No início, o sistema premiava aqueles que coletavam latas, dando televisões, impressoras e outras recompensas. Depois isso deixou de ser necessário, pois os preços e a demanda já incentivavam as coletas,” diz Carlos Roberto de Morais, da Comissão de Reciclagem da Abal.
Hoje, os catadores são responsáveis por cerca de 85% da coleta que vai para reciclagem e veem a procura constante por sucata de lata como um incentivo para sua atividade. A indústria de embalagens para bebidas, por exemplo, grande compradora da sucata, ampliou sua capacidade produtiva em 9,5% em 2012, para 23 bilhões de unidades ao ano. Atualmente, as latas de alumínio embalam 38,4% da cerveja vendida no país.
O resultado financeiro da reciclagem é uma injeção da ordem de R$ 645 milhões na economia ao ano – o que corresponde a 1,2 milhão de salários mínimos – de acordo com a Abal, que cita o número de 2011. Além da injeção direta de recursos, a atividade gera economia de energia de 3.780 GWh ao ano, pouco menos de 1% do total consumido no país. Este número é resultado de uma etapa a menos na produção, uma vez que o processamento da sucata de lata elimina a etapa de transformação da bauxita em alumina, processo que tem alto custo energético.
Fonte: Abras
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